Você bateu a meta, entregou o projeto no prazo e até recebeu elogios do cliente. E, mesmo assim, aí está você pensando: “foi sorte”, “qualquer um faria igual”. Se já se pegou nessa, é hora de falar sobre o que é síndrome da impostora e, mais importante, como virar esse jogo.
Este guia é prático, direto e pensado para quem toca o próprio negócio, porque acreditar no seu trabalho também é parte de crescimento. Vamos destrinchar o que é, por que aparece e trazer estratégias acionáveis para você parar de achar que está enganando todo mundo.
O que é síndrome da impostora?
A Síndrome da Impostora é aquele padrão mental chato em que você diminui suas próprias conquistas e vive com medo constante de alguém “descobrir” que você não é boa o suficiente.
Não é uma doença oficial no manual médico, mas é um padrão reconhecido que mina carreira, autoestima e até saúde mental.
Na vida real, é comum ver gente supercompetente, empreendedoras, artistas, pesquisadoras, programadoras, achando que suas vitórias foram puro acaso, sorte ou ajuda de terceiros.
Tipo assim: a dona de loja que aumentou as vendas em 30% no mês e jura que foi porque “o mercado estava aquecido” e não pelas estratégias certeiras que ela mesma criou.
Ou a professora que recebe elogios dos alunos e pensa “qualquer um faria igual”. Isso não é humildade, é uma distorção que rouba o seu crédito e pode afetar suas decisões futuras.
Além de drenar sua confiança, essa mentalidade pode levar à estagnação profissional: você deixa de se inscrever para oportunidades, evita novos desafios e se esconde em zonas de conforto que parecem seguras, mas que limitam seu crescimento.
Para as mulheres MEIs, isso significa perder clientes, deixar de escalar serviços e aceitar menos do que vale.
Como funciona o ciclo da síndrome da impostora?
Para entender como funciona, vamos de história. Maria é dona de uma lojinha online de acessórios. Tudo ia bem, até que um dia ela recebeu um convite: apresentar seu negócio num evento de empreendedores da cidade.
Na hora, ela até sorriu e disse “claro!”, mas por dentro já começou o frio na barriga. “Será que vão achar que meu negócio é pequeno demais?”, pensou.
Nos dias seguintes, veio a maratona insana. Maria pesquisou apresentações no YouTube, refez seus slides vinte vezes, ensaiou na frente do espelho, perdeu o sono e até deixou de atender alguns pedidos pra “ficar perfeita”.
Chegou o dia do evento. Maria arrebentou. A plateia aplaudiu, outros empreendedores vieram trocar contato e até um investidor quis conversar.
Mas sabe o que Maria pensou no caminho pra casa? Ah… foi sorte. Eles estavam de bom humor.
Dois dias depois, pintou outro desafio: ser entrevistada pra um jornal local. E lá estava Maria outra vez, com a sensação de que talvez não desse conta e o ciclo recomeçando.
Moral da história: enquanto a Maria não perceber que ela já é boa o suficiente, vai viver nessa montanha-russa de ansiedade, esforço excessivo, alívio rápido e insegurança.
Ah, e também pode acontecer: o ciclo da impostora pode incluir um elemento de validação externa (curtidas/recompensas) que cria dependência da aprovação, ou virar um padrão crônico que leva a exaustão e burnout.
Quais são as causas da síndrome da impostora?
Essa síndrome nasce de uma mistura de fatores e entender de onde vem ajuda a prever quando ela pode atacar. Abaixo, a gente mostra, além dos cinco tópicos principais, adicionamos sinais práticos para você identificar esses gatilhos no dia a dia.
Fatores de personalidade
Perfeccionismo, autocrítica, traços de ansiedade e tendência a instabilidade emocional. Quem só aceita o perfeito sempre acha que qualquer detalhe fora do padrão é um fracasso.
Um exemplo: no dia a dia, você revisa um post 20 vezes antes de publicar e, mesmo com curtidas, pensa que podia ter ficado melhor.
Dinâmica familiar e origem
Crescer com comparações, padrões rígidos ou cobrança de performance (“tem que ser a melhor”) pode levar à sensação de que seu valor só existe com resultados impecáveis. Como funciona no dia a dia? Exemplo, um feedback negativo faz você se sentir “inútil” e invalida todas as conquistas anteriores.
Fatores sociais e de gênero
Mulheres e minorias, em ambientes dominados por outros grupos, sentem mais impostoria. Um exemplo simples de como isso acontece é numa reunião em que você é a única mulher, qualquer erro parece ganhar uma proporção exagerada.
Comparação nas redes sociais
Só vemos o lado final dos outros e esquecemos que todo sucesso tem bastidores. Você vê o “antes e depois” e esquece dos anos de esforço no meio.
Dica: desative o modo comparação, por uma semana, siga perfis que mostram falhas e aprendizados.
Como identificar os principais sinais da síndrome da impostora?
Nem toda insegurança é impostoria. O que separa uma da outra é a frequência, a intensidade e o impacto na sua vida. Fique de olho em padrões:
Sinais internos. Pensamentos e emoções:
- Dúvida constante sobre sua competência, mesmo com histórico positivo.
- Medo de ser “descoberta” como farsa.
- Vergonha e autocobrança exageradas.
- Sintomas físicos frequentes: insônia antes de entregas, suor nas mãos, palpitações. Se isso vira rotina, é sinal.
Sinais comportamentais. O que você faz:
- Procrastinar tarefas importantes por medo.
- Se perde em detalhes irrelevantes.
- Recusa oportunidades por achar que não está pronta.
- Minimiza conquistas quando elogiada.
- Padrões de autossabotagem: aceitar trabalhos com baixo pagamento por achar que não merece mais.
Preste atenção: esses sinais, se frequentes, não são “frescura” nem “insegurança boba”. Eles sinalizam um padrão que pode afetar não só seu trabalho, mas sua saúde e finanças.
Como superar a síndrome da impostora? Estratégias práticas (com exercícios)
Chegou a hora das armas contra a impostora. Nós te contamos a seguir o pulo do gato para dar um chega pra lá nessa situação e aliviar o estresse:
Reconhecer e nomear
Rotule o pensamento: “isso é impostora”. Anote na hora: “pensamento impostor: ‘não mereço’”. Isso ajuda a ver como ele aparece. Faça isso por 7 dias seguidos e compare padrões.
Questionar pensamentos
Faça três perguntas sempre que bater a sensação de fraude:
- Qual a evidência a favor dessa ideia?
- Qual a evidência contra?
- Qual a explicação alternativa mais plausível?
Use esse roteiro em um caderno ou nota no celular, dá menos espaço para o pensamento rodopiar.
Arquivo de conquistas: passo a passo
Abra uma pasta no Drive chamada “Provas do meu trabalho” e organize subpastas com os nomes: depoimentos, resultados, mídias e cases.
Sempre que concluir um trabalho, salve ali uma prova, seja um print, um e-mail ou um comentário recebido. Reserve 10 minutos por semana para revisar esse material e manter tudo atualizado.
Aceitar elogios: script prático
Treine este script: “Obrigada, isso significa muito e me ajuda a entender o que funciona.” Depois, registre o elogio no arquivo de conquistas.
Compartilhar com alguém: como começar
Texto curto para enviar: “Queria dividir algo: às vezes sinto que não mereço os resultados. Já sentiu isso? Como lidou?” Um colega que responde com “também passo por isso” vale ouro e cria rede.
Experimentos comportamentais
Identifique uma ação evitada (ex: enviar portfólio a 3 clientes). Dívida em passos: rascunho, pedir 1 feedback honesto, enviar. Marque no calendário e cumpra pequenos prazos.
Limites e autocuidado prático
Dedique alguns minutos para revisar cada entrega. Se algo ainda não estiver perfeito, anote para o “próximo ciclo” e siga adiante. Ah, e na rotina: mantenha o sono regular, faça 15 minutos de pausa ativa por dia e pratique exercícios de respiração antes de cada entrega importante.
Exercício bônus: desafio de 7 dias contra a impostora
- Dia 1: crie o arquivo de conquistas e salve 5 provas.
- Dia 2: aceite um elogio sem minimizar.
- Dia 3: faça um micro-experimento: envie um e-mail curto oferecendo serviço a um cliente novo.
- Dia 4: liste 3 competências que você domina e exemplos concretos.
- Dia 5: peça feedback estruturado a um cliente ou colega.
- Dia 6: refaça um pensamento negativo com 3 evidências contrárias.
- Dia 7: revise a semana e registre 3 aprendizados no arquivo.
Quando buscar ajuda profissional?
Se nada disso for suficiente e a impostora estiver travando trabalho, sono ou relações, terapia é um passo inteligente. Procure um profissional que trabalhe com ansiedade, autoconfiança ou TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental).
Lembrando que, para fazer terapia, você pode contar com um plano de saúde voltado para MEI. E o que muita gente não sabe é que o microempreendedor também tem direito ao auxílio-doença em casos específicos.
Bora dar os primeiros passos e vencer hoje?
Agora que você já sabe o que é síndrome da impostora e como dar os primeiros passos para driblar essa sensação, que tal colocar tudo em prática?
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