No Brasil, trabalhar já é puxado, mas quando o assunto é ser mulher a conta pesa dobrado. Não é força de expressão: segundo a PNAD do IBGE, as brasileiras gastam em média 21,3 horas por semana em afazeres domésticos, enquanto os homens ficam na metade disso (11,7 horas). E saber como lidar com a dupla jornada de trabalho feminina é o grande problema aqui.
Essa dupla jornada, é uma verdadeira maratona que mistura boletos, panela no fogo, filhos, reuniões e prazos estourando, tudo acontecendo ao mesmo tempo, como se o dia tivesse 48 horas.
A questão é que ninguém dá conta de dois mundos rodando no mesmo ritmo sem consequências. O corpo reclama, a cabeça trava e, muitas vezes, os sonhos profissionais ficam engavetados.
Só que tem saída: entender esse cenário, assumir o protagonismo e criar estratégias reais de sobrevivência. É sobre isso que vamos falar aqui no nosso artigo de hoje. Borá lá!
Dupla jornada: o que é e por que incomoda tanto?
Dupla jornada de trabalho feminina é aquele esquema puxado em que a mulher, além de exercer sua função profissional, seja como empreendedora, funcionária ou autônoma, ainda assume a maior parte da responsabilidade dentro de casa. Isso significa cuidar de filhos, preparar refeições, limpar, pagar boletos e por aí vai.
Não é só uma questão de tempo, mas de energia. Trabalhar fora e voltar pra lidar com a casa é quase como jogar dois campeonatos no mesmo dia: mesmo se vencer no primeiro, ainda tem outro esperando. E aí o corpo e a mente começam a sentir o peso.
O impacto real dessa sobrecarga
O acúmulo de responsabilidades não é frescura nem exagero. Ele gera impactos reais e sérios. Segundo dados da ONU Mulheres, a sobrecarga feminina alimenta ciclos de pobreza, desigualdade e até exclusão do mercado de trabalho.
Quem já ficou virando a madrugada pra dar conta de tudo sabe que a conta chega. O corpo pede descanso, a cabeça pede paz e a carreira muitas vezes fica no modo pausa.
Antes de entrarmos nas estratégias de como lidar com a dupla jornada de trabalho feminina, vamos entender os efeitos dessa sobrecarga na vida prática.
Como a mente sofre (e muito!)
A mente é uma das primeiras a dar sinais. Estresse, ansiedade e até burnout são comuns nesse cenário. Quando a mulher está sempre no modo “resolver tudo”, sobra pouco espaço pra respirar. Isso afeta não só o humor, mas também a criatividade, a motivação e até a paciência dentro de casa.
Pensa assim, minha amiga: Maria acordou cedo, preparou o café da família, levou os filhos à escola, ainda atendeu ligações do trabalho e, ao final do dia, percebeu que não tinha conseguido sequer sentar cinco minutos tranquila.
A cabeça girava com tarefas acumuladas, e o sofá parecia o único lugar para tentar respirar. Quem consegue suportar isso a longo prazo?
E o corpo também sente (sim, a saúde física!)
O corpo também reclama. Exaustão crônica, dores de cabeça, alterações no sono e até problemas hormonais podem aparecer. É aquele famoso ditado: se você não para, o corpo para por você.
Dormir mal porque ainda tinha roupa no varal ou acordar cansada porque ficou até tarde organizando a semana, quem nunca? A rotina puxada vira inimiga da saúde física e cobra juros altos.
Reflexos na carreira profissional
Outro ponto pouco falado: a carreira. Muitas mulheres acabam recusando promoções ou oportunidades de estudo porque simplesmente não sobra tempo. Essa escolha forçada limita o crescimento e cria a sensação de estagnação.
E quando a mulher empreende, esse peso também aparece: menos energia pra inovar, menos tempo pra planejar e maior risco de perder clientes ou deixar passar boas oportunidades.
Mas o bom é que dá pra mudar isso, mesmo que aos poucos: pensar em empreendedorismo feminino e em estratégias de organização ajuda a reduzir esses efeitos.
Como lidar com a dupla jornada de trabalho feminina no dia a dia
Agora sim, a parte que interessa: como enfrentar essa maratona sem chegar sem fôlego. Não existem soluções mágicas, mas dá pra ajustar a rotina e dividir melhor as responsabilidades.
Gestão de tempo: simplifique pra não pirar
Não dá pra abraçar o mundo com os dois braços. A chave aqui é organização. Técnicas como blocos de tempo ou a famosa Matriz de Eisenhower ajudam a separar o que é urgente do que é importante.
Isso significa olhar pra rotina e decidir: o que realmente precisa ser feito hoje? E o que pode esperar? Essa simples reflexão já reduz a sensação de que o dia deveria ter 48 horas.
No universo MEI, vale pensar também em automatizar tarefas, por exemplo, agendar postagens, usar aplicativos de finanças ou emitir notas de forma digital. Quanto menos tempo gasto em burocracia, mais sobra para o que realmente importa.
Delegar e dividir tarefas
Essa talvez seja a parte mais difícil, mas também a mais necessária: dividir. Não dá pra centralizar tudo. O parceiro, os filhos, outros familiares ou até serviços terceirizados precisam entrar no jogo.
E aqui entra uma comunicação clara: explicar que cuidar da casa não é “ajudar”, é responsabilidade de todos que moram nela. O peso só diminui quando é realmente compartilhado.
Na vida empreendedora é igual: dividir funções funcionário, quando possível, ajuda a reduzir a sobrecarga. Uma mulher empresária de sucesso não é a que faz tudo sozinha, mas a que sabe distribuir as funções.
Limites claros (e saudáveis): dizer não sem culpa
Outro ponto é aprender a dizer “não”. Aceitar toda responsabilidade, seja no trabalho ou em casa, é receita certa pra esgotamento. Definir horários claros pro fim do expediente e respeitá-los é fundamental.
É como fechar a barraca na feira: deu a hora, precisa recolher as mercadorias. E ponto. Esse limite ajuda a mente a descansar e evita que o dia vire uma sequência infinita de tarefas.
O poder do autocuidado
Autocuidado não é luxo, é necessidade básica. É o feijão no fogo da vida: se você não coloca água, queima. Pequenas pausas ao longo do dia, rituais como um café tranquilo, uma caminhada curta, ter hobbies ou até uns minutos de silêncio fazem diferença.
E não adianta esperar ter tempo “sobrando”. O segredo é criar esses espaços no meio da rotina, como se fossem compromissos importantes. Afinal, uma empreendedora não consegue tocar o negócio sem energia.
Autocuidado: a chave pra não pirar
Cuidar de si mesma não é luxo, é necessidade. Pequenas pausas, rituais diários ou um café tranquilo podem ser a diferença entre sobreviver e viver sufocada.
Antes de apresentar 5 dicas práticas, vale lembrar: autocuidado precisa entrar na rotina como compromisso. Não espere ter tempo sobrando. Planejar pequenos momentos de cuidado diário ajuda a manter energia e foco.
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Dica de ouro |
O pulo do gato |
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Pausa ativa |
Tire 5 a 10 minutos a cada 2 horas para alongar ou caminhar. Ex.: levantar da mesa, esticar as pernas, mexer ombros e pescoço. |
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Café consciente |
Reserve um momento só pra você, sem celular ou trabalho. Ex.: preparar um café, sentar na varanda e respirar fundo. |
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Micro-meditação |
3 minutos de respiração profunda ou meditação guiada ajudam a reduzir a ansiedade. Ex.: usar app de meditação antes do almoço. |
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Desconexão |
Estabeleça um horário para desligar notificações e e-mails. Ex.: depois das 20h, nada de celular relacionado a trabalho. |
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Pequenas alegrias |
Faça algo que te dê prazer todos os dias. Ex.: ouvir música, ler um capítulo de livro ou fazer um hobby rápido. |
Essas cinco ações podem parecer simples, mas implementadas com consistência, ajudam a manter corpo e mente ativos, e reduzem a sensação de sobrecarga.
Rede de apoio e tecnologia
A vida fica mais leve quando não se está sozinha. Conversar com outras mulheres que passam pela mesma realidade ajuda a trocar estratégias e perceber que a luta é coletiva.
Aqui entra também o uso da tecnologia: aplicativos de organização, delivery, compras online e até outros serviços agendados pelo celular são aliados valiosos. É usar as ferramentas certas para otimizar o tempo.
E se você quer entender melhor os diferentes papéis dentro da rotina profissional e pessoal, vale conferir o nosso artigo sobre empresária ou empreendedora: papéis e características.
Hora de arregaçar as mangas e ir pra cima!
Aprender como lidar com a dupla jornada de trabalho feminina é mais do que organizar a rotina: é tomar as rédeas da própria vida, proteger a saúde, fortalecer a carreira e criar espaço para o que realmente importa.
O equilíbrio não aparece sozinho. É preciso planejar, dividir tarefas, cuidar de si mesma e usar ferramentas que ajudam a ganhar tempo. E isso vale tanto para a vida doméstica quanto para o crescimento do negócio.
Agora que você já entendeu os caminhos e como organizar tudo sem pirar, é hora de pensar na estratégia certa para a sua rotina e para o seu negócio. E se você quer organizar as ideias de forma prática, vale a pena conferir nosso guia com cursos para mulheres empreendedoras que querem voar alto (e de graça)!